Esse é o tipo de coisa que me faz ficar profundamente decepcionada com como tenho crescido mal. Nem estou falando da minha altura, e nem fazendo piada, já que todo mundo sabe que parei de crescer com 15 anos. De qualquer forma tenho me sentido meio Peter Pan. Não quero crescer. Amadurecer. Essas coisas.
Hoje já comecei mal o dia. Acordei 06:42, oito minutos antes do horário. Não ia mais adiantar dormir, mas ficar na cama era inevitável. Quando fui dormir estava calor, uns 20º, acordo com 12º, chuva e vento. Me arrumei, tomei café e sai pra pegar o ônibus. A chuva estava fraca, mas resolvi levar um guarda-chuva.
Infeliz do guarda-chuva ruim que virava a cada rajada de vento, pois caiu o céu quando desci do primeiro ônibus. Tinha 8 minutos de caminhada, se fosse rápida e estivesse de cuturnos, mas estava de All Star (tênis maldito) e calça jeans clara. Combinação perfeita. Caminhei devagar para que não entrasse água nos tênis, mas a chuva vinha pela frente e molhou toda a calça, meias e, por consequência, tênis. Ooookay.
Meu corpo estava seco da bunda pra cima. Uhul! Entrei no mercado pra ver se pelo menos conseguia comprar meias novas (e secas). Não vendiam meias. Tudo bem. Caminhei muito devagar e estava atrasada. Pensei que como já estava molhada ia subir a lomba a pé mesmo (ia dar uns 8 minutos a mais), mas olhei o celular e vi que já estava 10 minutos atrasada pro trabalho.
Fui pegar o segundo ônibus. Entro no maldito e o demônio em pessoa me olha e sorri. “Fingi na hora rir” e segui meu caminho até o fundo no transporte. Ele foi atrás e ficou parado do meu lado que nem uma estátua (coisa que ele sempre foi muito bom) e sorria simpático como não era a anos. Nojo. Desci e corri pro prédio do escritório. Ele tinha descido na mesma parada. Não olhei pra trás.
José me deu um aquecedor. Sequei os tênis e dei uma aquecida no corpo. Tomei café e experimentei aprender a fazer uma planta de interferência (iluminação). Trabalhei nisso a manhã inteira. Trabalhei tanto quanto pude, porque com o frio, roupa molhada e sensação de ter tomado um tiro no peito, meu joelho doia demais! (Preciso voltar a fazer exercícios pra melhorar isso).
Mandei uma mensagem pro meu pai e pedi pra ele me pegar no serviço. Almocei em casa, troquei de roupa, ligo o computador e vejo como a internet só serve pra me fazer mal. Não faço nada de útil e aproveito pra ficar magoadinha com coisas que nunca dei importancia.
Não queria precisar trabalhar, ou ter alguém, ou qualquer coisa do tipo. Nunca me permiti gostar das pessoas mais do que gosto de mim. Nunca gostei muito de mim, mas definitivamente prefiro a minha felicidade do que a dos outros. Sou egoista. Nunca confiei em ninguém, simplesmente não penso no que pode me chatear. Não sintia ciumes. Não percebia se me davam ou não ateção. Era auto suficiente.
E agora? Não jogo mais (e era o que me fazia menos humana), tenho mais tempo pra pensar nessas coisas que não levam a lugar nenhum (e jogo também não leva, mas pelo menos me da status). Aprendi que não devo sentir pelos outros e então não penso sobre o que os outros sentem, mesmo que essa não seja a moral do “não sentir pelos outros”. Eu sinto. Sinto mais do que acho que deveria e isso tem me magoado.
Em que mundo um encontro (sem troca de palavras) no ônibus ia me fazer sentir tontura? Chegar em casa e ver que meu namorado não respondeu minha baboseiras seria como se ele não gostasse o suficiente de mim?
Tenho demonstrado o que sinto, pras pessoas que merecem isso, e me sinto mal. Não gosto dessas coisas. Não gosto de sentir essas coisas. Queria ser mais desligada e ainda menos humana. Essas coisas de sentimentalismo não são pra mim. Em dias ruins menos ainda.
Pelo menos hoje de noite tem aula.
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